Educação à moda

Depois de dois anos sem escrever por causa da gravidez e do nascimento do meu filho, estou de volta, na medida do possível, com meus comentários, reflexões, elogios ou indignações sobre educação.

Não sei porque esse construtivismo “inventado” tomou quase como obrigatório o “método” de ensino na grande maioria das escolas brasileiras.

É claro que o mundo e as pessoas não são mais as mesmas e que as aulas nos dias de hoje não serão conduzidas como antigamente, com palmatórias e autoritarismo, mas o inverso da mesma moeda, onde os alunos que ditam o que fazer, para onde ir, como ir e tudo o mais não é também possível. É necessário sim regras, métodos de organização e formas de ensinar eficazes que não atrasem a vida letrada do aluno, por exemplo, pois se ele não tiver “vocação” para aprender a ler e escrever, ele estará “apto” lá pelo segundo ou terceiro ano. Pressa? Lógico que não, mas respeito ao “novo” perfil de aluno de hoje, que aprende rápido, que assimila conteúdo com facilidade e interesse. Além disso, esse excesso de “o que vocês, alunos, querem fazer” constrói sim crianças tiranas, que mandam em seus pais e que decidem tudo, sem maturidade alguma. O que vemos hoje são crianças e jovens muito mal educados, que desrespeitam seus colegas, professores ou qualquer tipo de autoridade – palavra desconhecida para eles.

Educação não pode ser construída em cima de modismos simplesmente para atrair clientela; as instituições de ensino devem sim assumir seus valores educacionais, éticos e pedagógicos com embasamento teórico e prático, sem medo, sem se venderem por meia dúzia de pais equivocados e culpados por não saberem conduzir a vida de seus filhos.

Infelizmente muita hipocrisia e “ajustes” das “autoridades” em educação tentam justificar/enrolar sua forma de conduzirem as escolas para não afundarem seu negócio. Em nome da tradição do nosso país, tudo acaba mesmo em pizza…

Cintia Auilo

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SHIIIIIIIIUUU!!!!

Dependendo do nível, o ruído no ambiente escolar – no parque (não mais que 55dB) e em sala de aula (até 35dB) -pode afetar a performance e o desenvolvimento da criança. Pesquisas mostram (Universidade de Southbank, Londres) que salas barulhentas podem acarretar em um pior resultado da turma – muita conversa entre eles, barulho de fora da sala, entre outros. O menor ruído possível deve permear por todo o momento em sala de aula, pois auxilia na compreensão e no processo de aprendizagem.

Finalmente encontrei uma pesquisa que acalmasse a minha agonia em ler e em assistir a essa conduta estúpida da “moderna” pedagogia, numa mistura de valores antagônicos e permissividade desenfreada, onde o aluno deve se expressar a qualquer hora e como quiser. Tais pedagogos defendem a “autonomia” e a “competência” do aluno por meio da fala, digo, do grito e de todos falando ao mesmo tempo, pois afinal, eles têm o direito de se expressar…

Hoje, a grande maioria dos ambientes nas salas de aula é uma verdadeira feira livre ou um campo de futebol em plena final! E se entrarem em sua sala e ela estiver silenciosa – ambiente propício para o aprendizado – você é uma professora muito enérgica, uma verdadeira “terrorista” que não permite com que seus alunos verbalizem suas idéias e opiniões.

Que alívio! Agora a ciência está do meu lado e nada mais poderá me calar. SILÊNCIO!!!!SILÊNCIO!!!

Cintia Auilo

Corra que a mediocridade está aí!

Diante de tantos chavões e teorias pedagógicas, a verdade é: a escola deve ser, definitivamente, não só um local onde se adquire conhecimento, cultura e conteúdos pré-estabelecidos, mas, efetivamente, um ambiente que propicie e priorize, no indivíduo, a aquisição de “ferramentas” para lidar consigo mesmo e com a vida.

É claro que é necessário muito estudo, didática e reformulação de estratégias para que o processo de aprendizado obtenha o melhor resultado possível. E qual seria o melhor resultado? Como mensurá-lo? Para medirmos, temos de ter uma referência. E quem ou o quê ousaria mensurar aquilo que faz parte do drama humano? – o SER.

Resumidamente, o indivíduo vai à escola para tornar-se humano. Será que toda essa mistura de linhas pedagógicas, modismos, “maquiagem” e hipocrisia que a maioria das escolas se submetem para não perder sua clientela, sentem-se responsáveis, além da família, em nortear seus alunos àquilo que os antigos filósofos já defendiam sobre o Belo, o Bom, a Ética, o Verdadeiro, e tantos mais atributos que nunca saem de moda? Pois esses são os reais instrumentos que sustentam o indivíduo por toda sua vida. Não importa se ele vai ser um engenheiro, um médico ou um arquiteto, importa sim o que ele vai SER.

Instrução, informação e competência existem de sobra por aí, e reais seres humanos?Creio que muito mais que congressos, grupos de estudo e discussões sobre educação, deveríamos questionar todo o formato de escola, seus princípios e reais norteadores daquilo que chamam, levianamente, de “escola para a vida”. Se assim o fosse, o mundo não estaria da maneira que está – sociedades corrompidas, famílias desestruturadas, meio ambiente doente, corrupção, banalização da vida, e muita, muita mediocridade.

Cintia Auilo

“Uma pessoa não nasce humana, mas torna-se uma.”
Erasmus

“Aos alunos com carinho”

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.
Cecília Meireles

Cintia Auilo

Vamos conversar?

Muita atenção educadores e mantenedores: o aumento de práticas do bullying está crescendo assustadoramente. Como um vírus social, ele vem se instalando nas escolas públicas e particulares. Por sua vez, seus “tutores” têm se omitido cada vez mais, permitindo com que essa disseminação se torne uma epidemia!

Acreditem ou não, muitos pedagogos, professores e envolvidos na prática educativa também se contaminaram pela excessiva abertura de atuação dos alunos e se perderam no educar. Dizer que as crianças de hoje não são mais as mesmas do passado é chover no molhado, porém acreditar que já estão “emancipadas”, prontas para a vida pessoal e, principalmente social, é muito irresponsável. Pelo menos é assim que, na prática tem sido a postura de boa parte de seus responsáveis acadêmicos.

Com a “moderna” política educacional, onde se permite com que as crianças se expressem desenfreadamente; onde se dá liberdade a quem não sabe usar, isso pode acabar num vandalismo generalizado, e o mais dramático é reconhecer que professores, orientadores e diretores acabam fazendo o papel de conivente diante da postura geral da moda educacional: “vamos conversar?”; “quando é que você irá decidir parar de espancar o seu colega, meu querido?” – sinto muito, é assim que essa “postura democrática” entra nos meus ouvidos. Não sou nem um pouco tendenciosa a práticas ditatoriais nem tampouco em podar a espontaneidade e em reconhecer a capacidade dos alunos, mas fundamentalmente não podemos esquecer de que por melhor, por mais “evoluída” que a nossa clientela seja, ela não deixa de ser constituída de indivíduos imaturos, desprovidos de experiência de vida, de convívio social, bom senso, juízo de valor, no qual precisam de limites, direcionamento e referência do adulto, caso contrário, o que é que esses seres tão
completos, articulados, senão “iluminados” estão fazendo nas escolas?

Cintia Auilo

http://www.bullying.com.br/
http://revistaescola.abril.com.br/online/reportagem/repsemanal_275348.shtml
http://www.educacional.com.br/reportagens/bullying/default.asp

Educação e Cérebro

Quando verbalizo essas duas palavras, tenho a impressão de que estou dizendo apenas uma só. Finalmente as duas áreas, Neurologia e Educação, começaram a “conversar” (no Brasil) e reconhecer que têm muito em comum.

Fui a um congresso recentemente (www.aprendercrianca.com.br), onde os palestrantes nada mais eram do que neurologistas e psiquiatras tentando reunir os processos cerebrais com os procedimentos do aprendizado. Fantástico!!!

É necessário reformularmos o como educar a partir das fases cerebrais da criança, ou seja,  aproveitar o desenvolvimento cerebral, em tempo real, com as janelas de oportunidade, estimulando o aluno no período em que as redes neuronais estão “pré-dispostas” a um determinado tipo de aprendizado. Assim, teremos um maior aproveitamento dos estímulos cerebrais e com isso, o aprendiz fará mais conexões, relações, de maneira que possa ampliar seus conhecimentos e interação mais produtiva e inteligente com a realidade e consigo mesmo.

Cintia Auilo

veja.abril.com.br/060808/entrevista.shtml

revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12337

Você quer trocar um ser humano por uma máquina? – sim ou não?

A sociedade de hoje se define, basicamente, como a sociedade do consumo, do conhecimento e da tecnologia. Nesse cenário mesclado entre imensa  variedade de produtos em geral, fácil acesso à informação, e a tecnologia “agilizando” o nosso dia-a-dia, não podemos esquecer das nossas origens, da nossa espécie – humana. Muito menos do contato e interatividade que os humanos devem ter entre si e que nenhuma máquina, produto ou informação é capaz de substituir. Os Tamagotchis, que são bichos de estimação virtuais, reforçam essa sociedade, que aos poucos, sem perceber, opta por encontros virtuais aos presenciais, ou em ficar muitas horas, em alguns casos dias, jogando videogames como o Playstation, isolada do mundo real.

Crianças que, desde cedo, forem estimuladas a esse tipo de entretenimento/ relacionamento, sofrerão maiores dificuldades em se relacionar com o outro num futuro próximo. Devemos tomar muito cuidado, principalmente com os menores, em não exagerar na interatividade do mundo virtual/irreal na era da tecnologia. Não podemos esquecer que a disponibilidade tecnológica está a serviço do homem e não o contrário. Robôs, imagens em alta definição, livros eletrônicos, entre outros, nunca irão substituir o real, o calor humano, o olho no olho, o verdadeiro pôr–do-sol, nem as páginas dos livros que nos levam para dentro de nós e além de nós mesmos. Talvez a maior armadilha em sermos humanos é a de não acreditarmos que somos, de fato, reais.

Cintia Auilo

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u422123.shtml

Alice não vê mais maravilhas

Infelizmente, como a maioria dos segmentos comerciais que visam (somente) o lucro, as editoras de livros não escapam desse mal. Para elas, o juiz que determina o que é bom ou ruim para lermos é a sociedade. E quem disse que a nossa (culta!) sociedade sabe o que quer ou tem discernimento em julgar o bom do ruim? Se a sociedade atual é medíocre, iremos encontrar, na maior parte das vezes, livros medíocres nas prateleiras das livrarias.

Os livros infantis de hoje reproduzem de maneira muito grosseira os valiosos clássicos ou lançam histórias sem começo nem fim, sem contar as que terminam com lições de moral. Por outro lado, o pequeno leitor, cheio de criatividade, com suas fantasias a todo o vapor, pronto para apreender bons e diferentes modelos, tem de “engolir” os livros que são vendáveis, pois agradam o pagante, os pais, ou as idéias que os editores julgam ser lucrativas. Para eles, não importa que estamos falando de arte, de cultura, de idéias que irão fazer parte da “construção” do indivíduo.

Ler uma boa história enriquece a nossa alma, amplia os nossos horizontes e tem o poder de transformar toda uma sociedade vazia e sem valores em indivíduos mais pensantes e humanos. Opções de leitura de qualidade propiciam para os menores oportunidades de conhecerem a realidade que os circundam ou o mundo fantástico por meio do belo, do inesperado, do intrigante, da alegria, da tristeza, da amizade, das perdas, da magia e de tudo o mais que faz parte da realidade humana – que não tem preço!

Cintia Auilo

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11534

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11535

“Errar é humanas”

Mentes brilhantes

Há muito tempo que o serviço público em geral anda doente. Infelizmente, a grande maioria das pessoas que fazem parte do funcionalismo público não tem noção do papel que deveria exercer – exemplos de cidadãos, representantes da sociedade brasileira – afinal de contas, seja a cidade, o estado, o país, o povo são, ou pelo menos deveriam ser aqueles a quem “prestam seus serviços”. Quando se trata de escolas públicas então, a vergonha é generalizada. E esse “câncer” está muito distante de encontrar a sua cura…

Leia mais um vergonhoso exemplo:

http://www1.uol.com.br/vyaestelar/dialogos.htm

Cintia Auilo

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